Há quatro semanas, o Governo de Pernambuco reporta uma queda nos indicadores que medem o comportamento da pandemia, e usa a baixa como justificativa para a flexibilização de atividades econômicas e sociais no Estado - como foi o caso dessa sexta-feira (2). As reduções acontecem em diferentes índices, como o número de casos e mortes causados pela covid-19 e de internações por síndrome respiratória; todas sendo, inclusive, reportadas diversas vezes pelo JC. Entretanto, ainda é iminente a necessidade da população em manter os cuidados preventivos, uma vez que a emergência sanitária ainda parece estar longe de chegar ao fim no Brasil.
Em coletiva de imprensa, o secretário de saúde André Longo disse que o Estado apresenta “um cenário epidemiológico em evolução positiva". "Registramos um total de 1.093 casos de SRAG na semana epidemiológica 25, representando uma redução de 23% na comparação com a 24, e de 63% quando comparamos com 15 dias”, afirmou. A partir dos números do último boletim epidemiológico, a reportagem também constatou uma queda nas médias móveis de casos e de mortes pela covid-19 durante 11 e 12 dias, respectivamente, sequências que não eram vistas desde 2020.
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"Em relação às solicitações de leitos de UTI, tivemos queda de 18,3% quando analisamos o estado como um todo, levando a taxa de ocupação a cair para abaixo de 70%, ainda há diferenças, temos uma evolução mais positiva e mais rápida na Região Metropolitana do Recife - a 1ª macrorregião -, que tem indicadores de taxas de ocupação melhores do que nas outras macrorregiões do estado, o que faz com que algumas fases do plano de convivência sejam diferenciadas", explicou o secretário.
Monitoramento feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) demonstra que, de fato, Pernambuco tem tido uma evolução nos dados da covid-19, principalmente na de ocupação de UTIs, saindo da “zona de alerta crítico” para a de “alerta intermediário” no período entre 21 e 28 de junho. Para o epidemiologista Rafael Moreira, isso se deve ao avanço da vacinação e às últimas restrições feitas entre maio e junho no Estado.
“A vacinação vem avançando em boa parte da população idosa, que é o grupo mais vulnerável, e também em outros públicos, como profissionais de saúde, linha de frente e segurança pública. Associada a isso, tem as medidas anteriores que observamos e que podem ter como reflexo a redução do número de óbitos”, explicou o especialista.
Entretanto, ele alertou para a ainda alta taxa de transmissibilidade do vírus, o que pode ser explicada pela rotação de novas variantes. “As medidas como a manutenção de distanciamento social e uso de máscara em ambientes públicos devem ser continuadas, porque a transmissão ainda está em um patamar muito elevado”, orientou.
O cientista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e do Instituto de Reduções de Riscos e Desastres em Pernambuco (IRRD) Jones Albuquerque também chama atenção para o ainda elevado ‘Risco Pernambuco’, que está com taxa de ataque de 237 por 100 mil habitantes, quando a ideal para apontar uma queda seria em 50 por 100 mil habitantes.
“Quando a Organização Mundial de Saúde decreta pandemia, não depende mais só de você, mas dos seus vizinhos [cidades e países com alguma ligação]. Então, se algum desses locais está com aumento de casos, é esperado, pelo mecanismo de prevenção, também sermos tracionados com um aumento. Por isso, mesmo com casos baixos aqui, nosso indicador é de risco altíssimo.