COVID-19

Cancelamento do réveillon pode atingir bares, restaurantes e hotéis? Setores veem prudência, mas pedem ''racionalidade'' para medidas futuras

Prefeitura do Recife anunciou nesta terça-feira (30) o cancelamento da realização de shows públicos para celebrar a chegada do novo ano

Lucas Moraes
Lucas Moraes
Publicado em 30/11/2021 às 12:02
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Diego Nigro/JC Imagem
FOTO: Diego Nigro/JC Imagem
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O temor em torno de uma nova onda de casos da covid-19 fez com que a Prefeitura do Recife cancelasse a realização de shows públicos durante o réveillon 2022. A medida mantém a queima de fogos na orla de Boa Viagem e do Pina e nos demais pontos da cidade onde tradicionalmente já havia festa e, como está posta até então, é vista como prudente por setores que estão diretamente ligados à festa. Bares, restaurantes e hotéis veem ainda impacto econômico reduzido, mas adiantam que o cancelamento deve ser levado em conta como uma medida preventiva, para que não haja um impacto maior nas atividades ao decorrer do próximo ano. 

"Com essa questão do cancelamento, é imprevisível ter um dimensionamento dos impactos. Falamos sobre essa questão do acompanhamento dessa nova variante (ômicron), mas não estamos ainda com um posicionamento de consenso. Esperamos que bares e restaurantes não sejam atingidos, porque passamos por muita dificuldade e ainda estamos enfrentando. Havendo cumprimento dos protocolos sanitários, não há motivo para haver cancelamento do nosso funcionamento, até agora", diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes - seccional Pernambuco (Abrasel-PE), Andre Araújo. 

O mês de dezembro, movido pelas festividades natalinas e de réveillon, é o melhor período para bares e restaurantes, com incremento de até 12% no faturamento. O cancelamento da festa pública é visto com prudente, mas acende um sinal de alerta em relação ao que virá pela frente. 

"Esperamos que a racionalidade permaneça. Não houve ainda nem recuperação de receita. Não estamos conseguindo isso porque ainda estamos muito endividados, acumulando as dívidas. Estamos vivendo essa retomada, de confiança na vacinação. Os estabelecimento estão com movimento, mas de longe a gente ainda não conseguiu se recuperar. Esperamos bom senso e prudência em relação a novas medidas", reforça Araújo. 

Na rede hoteleira do Estado, o impacto do cancelamento das festas públicas de réveillon, que já se estende a Petrolina, Caruaru e Jaboatão dos Guararapes, além do Recife, não deve reduzir a ocupação prevista dos leitos em mais de 10%. Em virtude do impacto econômico da pandemia, a capital pernambucana reduziu o número de leitos disponíveis na cidade, e com as flexibilizações já trabalhava com a estimativa de 90% de ocupação neste fim de ano. 

"Acho prudente. Vai ser de certa forma impactante para o turismo, pois vai abalar alguma coisa, mas é melhor perder agora e ganhar o ano (de 2022). O prejuízo será menor. Liberar agora é um risco que pode bater no Carnaval. Se a gente puder se prevenir, para o turismo é melhor perde menos agora", diz o presidente da Associação da Indústria Brasileira de Hotéis de Pernambuco (Abih-PE), Eduardo Cavalcanti. 

De acordo com Cavalcanti, a movimentação de turistas não esta atrelada, no Recife, à realização de festas públicas. "Se proibir o show de rua, grande, que a prefeitura faz em Boa Viagem, não mexe em 10% da ocupação da hotelaria. Importante é ser possível ter a festa de réveillon dentro do hotel. Se posso ter um evento dentro do hotel para 300 a 400 pessoas, não corre risco", afirma. 

A expectativa é de que não haja uma movimentação intensa de turistas estrangeiros em pontos importantes do Estado. De acordo com a Abih-PE, no Litoral sul, o público preponderante deverá ser do Sul e do Sudeste. Já na capital, a expectativa é pela chegada de pessoas vindas de cidades como Maceió, João Pessoa e interior do Estado. 

Cancelamento 

A Prefeitura do Recife decidiu nesta terça-feira (30) não realizar os tradicionais shows da programação de réveillon, no próximo dia 31 de dezembro, que costumam marcar a virada do ano na orla do Pina e Boa Viagem. O prefeito João Campos (PSB) garantiu a realização da queima de fogos na orla de Boa Viagem, e também descentralizada em outros bairros da cidade e além desse cancelamento, não pontuou nenhuma alteração no funcionamento de bares e restaurantes ou até mesmo em festas realizadas dentro de hotéis ou em outros espaços privados. 

Está garantida a queima de fogos na Orla de Boa Viagem, com 17 minutos de um show no céu recifense. Serão quatro balsas dispostas no mar, responsáveis por dar suporte aos fogos que serão projetados sem estampidos.

Também haverá cinco minutos de fogos em polos descentralizados no Ibura, Jardim São Paulo, Morro da Conceição e Lagoa do Araçá.

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