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Representantes de torcida organizada fazem cobranças ao presidente do Santa Cruz; veja tudo que aconteceu na reunião

O Santa Cruz vive momento de crise e está na zona de rebaixamento da Série C

Cadastrado por

JC

Publicado em 08/07/2021 às 21:38
Um vídeo da reunião, com duração de 31 minutos, foi postado nas redes sociais pelo grupo que esteve no Arruda para conversar com Joaquim Bezerra. - REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Com a crise se agravando um pouco mais a cada dia no Santa Cruz, a insatisfação da torcida coral cresce na mesma proporção. Recentemente, o presidente do clube, Joaquim Bezerra, se reuniu com representantes de uma torcida organizada para uma conversa onde houve cobrança por parte da T.O e explicações do dirigente. Um vídeo da reunião foi publicado, nesta quinta-feira (8), nas redes sociais pelo grupo que esteve no Arruda. 



Apesar de ser um momento de diálogo, o encontro foi marcado por um clima de tensão e muita cobrança. Logo no início do vídeo, ouve-se um dos representantes presentes insistir: "O senhor ainda não me respondeu o que vai fazer para a gente não cair para a Série D?", direcionando-se a Joaquim Bezerra. O presidente do Santa Cruz inicia uma resposta com "vou continuar fazendo" e é interrompido pelo autor da pergunta, que diz "o mesmo?". Joaquim nega.

O vídeo publicado tem pouco mais de 31 minutos e documenta uma conversa que permeou alguns dos principais pontos da crise que vive o Santa Cruz, como o futebol, dívidas e a grande probabilidade de rebaixamento para a Série D. Entretanto, um nome em específico foi destaque no encontro, o do executivo de Futebol Fabiano Melo, que não participou da conversa com a organizada. "O senhor devia ter uma supervisão melhor sobre o trabalho de Fabiano Melo", disse um dos torcedores em um dos momentos onde as reclamações eram bastante direcionadas ao trabalho de Melo. Joaquim Bezerra, por sua vez, disse que está "fazendo por onde resolver o problema". 

"Eu sou tão torcedor quanto vocês", disse Joaquim. "Mas não é por ser torcedor que sabe trabalhar, não. Eu sou torcedor, mas não sei trabalhar com isso, não. Aí quando chegamos aqui, só o senhor recebe. Cadê Frutuoso?", respondeu outro torcedor, que também cobrou a presença de André Frutuoso, vice-presidente do clube.

Houve ainda insatisfação do grupo pelo fato de várias tentativas frustradas de ter uma conversa olho no olho com Fabiano. Joaquim chegou a contar que questionou, por exemplo, o fato de Bustamante ser titular em um jogo e logo em seguida integrar uma lista de dispensas. 

Ainda sobre as reclamações relacionadas ao trabalho de Fabiano Melo, os representantes da torcida organizada insistiram para que Joaquim verifique os contratos dos jogadores e como aconteceram as negociações que resultaram no acerto com clube, alegando que nomes do elenco podem ter sido escolhidos dentro de esquemas que beneficiem amigos ou até mesmo o próprio executivo de futebol. "Infelizmente as pessoas que o senhor escolheu para gerir o futebol estão agindo de má fé", pontuou um representante. 

O grupo reforçou que quer falar pessoalmente com o dirigente. "Ele vai falar com a gente por bem ou por mal. A gente pede ao senhor que saia daqui e passe a informação para ele lá dentro. Para Fabiano, para os jogadores, porque vou dizer um negócio ao senhor com toda sinceridade. Aqui quem veio foi homem, não veio maloqueiro, nenhum menino. Da próxima vez que a gente vier aqui, vai vir para mais de cinco mil homens, vai ser pior", avisou um dos torcedores. "Se o Santa Cruz penar, cair, quem vai pagar é ele", acrescentou outro. 

Confusão com tiros no Arruda

No dia 21 de junho, o Santa Cruz empatou com a Jacuipense em 2x2, pela quarta rodada da Série C, e após este jogo, realizado no estádio do Arruda, houve confusão na sede do clube. Na ocasião, membros da torcida organizada tentaram invadir o local e tiros foram ouvidos. Ninguém ficou ferido. Sobre esse episódio, o Santa Cruz abriu uma sindicância para investigar quem teria feito os disparos. O assunto também foi cobrado na reunião. 

"Quem foi que atirou na gente? O senhor como presidente, o senhor sabe", cobrou um torcedor. "Não, não sei", respondeu Joaquim. "Como não sabe?", retrucou o torcedor.

"Eu não estava nem aqui, eu estava viajando. Eu abri a sindicância, já comecei a interrogar os funcionários aqui dentro, peguei o nome de um integrante da Inferno Coral que estava aqui no dia [da confusão]. Ele veio aqui conversar comigo e um outro integrante. Ele narrou os fatos, eu anotei isso aqui e peguei o telefone dele para voltar a chamar ele para poder fazer uma sindicância", justificou o presidente coral. 

O grupo não se sentiu satisfeito com a explicação do dirigente e cobrou que se consiga nome dos vigilantes e imagens de câmeras de segurança. 

Dívidas e contratações 

A situação financeira do clube também entrou na pauta da conversa. Joaquim informou ao grupo que o acordo com Didira, que deixou o clube no início do mandato da atual gestão, já foi pago integralmente. Quanto ao acordo com Paulinho, que também saiu na mesma época, há uma parcela em atraso, mas que o jogador está ciente e foi comunicado do prazo que, segundo o presidente, o Santa Cruz vai cumprir. "A gente dá satisfação às pessoas", frisou Bezerra. 

Joaquim se queixou ainda da dificuldade para conseguir contratar jogadores, dando destaque principalmente ao trabalho para conseguir um meio. De acordo com a explicação dele, quando o clube encontra um jogador que se adequa ao planejamento, o atleta não aceita a proposta por se tratar um time que está na terceira divisão - até mesmo com proposta para receber um salário maior. E isso seria um aspecto que integra uma "reação em cadeia", afinal, um time sem ganhar não consegue patrocinador master e, consequentemente, não tem dinheiro. "Então fala ele ganhar", cobrou um torcedor. "É uma cadeia de coisas que vai dando negativamente. Eu estou do mesmo jeito que vocês estão. Aflitos, desesperados. Tenho que ter a cabeça no lugar para fazer as coisas entrarem na linha", afirmou Joaquim.

Fornecedor de material e marca própria

O momento teve espaço ainda para que o presidente também prestasse um esclarecimento sobre mudanças na produção dos materiais da Cobra Coral, a marca própria do Santa Cruz. Um integrante do grupo afirmou que o clube estaria abrindo mão da marca e que fecharia com um fornecedor que tem produtos de baixa qualidade. O presidente, porém, garantiu que a Cobra Coral permanece e que a mudança na produção não prejudicará a qualidade do material e financeiramente o Santa Cruz terá mais vantagem, mas que ainda não há negócio fechado.  

Apesar do clima tenso e das cobranças, Joaquim Bezerra agradeceu a presença do grupo. "Eu agradeço a vocês porque essa pressão é salutar, tira todo mundo da zona de conforto. Ninguém pode estar na zona de conforto com um time que não ganha jogo", disse. 

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