Rússia liberta uma das integrantes da banda Pussy Riot

Maria Alyokhina foi beneficiada por uma anistia classificada por ela de "operação de relações públicas" por parte do Kremlin
Da AFP
Publicado em 23/12/2013 às 10:36


A cantora Maria Alyokhina, uma das duas jovens do grupo russo Pussy Riot detidas, foi libertada nesta segunda-feira (23) depois de se beneficiar de uma anistia classificada por ela de "operação de relações públicas" por parte do Kremlin. A libertação da outra integrante do grupo, Nadezhda Tolokonnikova, que continua presa em um campo de detenção na Sibéria oriental, era iminente, segundo seu advogado.

As duas jovens, detidas em março de 2012 por vandalismo e incitação ao ódio religioso, cumpriam uma pena de dois anos de detenção depois de cantarem uma oração punk contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin. A condenação seria completada em março de 2014.

Esta libertação ocorre três dias após a do ex-magnata do petróleo e opositor ao Kremlin Mikhail Khodorkovsky, indultado de forma inesperada pelo chefe de Estado russo. Alguns interpretam este gesto como uma tentativa de melhorar a imagem da Rússia com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em fevereiro.

Alyokhina, de 25 anos, "foi libertada hoje (segunda-feira) por volta das 09h da manhã", indicou à AFP Elena Nikoshova, porta-voz do serviço de aplicação de pena (FSIN) da região de Nizhni Nóvgorod.

Depois de ser transferida à estação de trens da capital da região, a jovem libertada se dirigiu à Comissão contra a Tortura da cidade para explicar o destino de suas companheiras de detenção. "O mais difícil na prisão é ver como destroem a gente", comentou Alyokhina à rede de televisão Dojd.

A cantora criticou a lei de anistia que permitiu sua libertação, aprovada na quarta-feira (18) pelo Parlamento russo e que prevê anistiar, entre outras, as pessoas condenadas por vandalismo e as mães de menores. "Não creio que esta anistia seja um gesto de humanismo, mas uma operação de relações públicas", declarou a jovem, mãe de um menino. "Se tivesse tido a possibilidade, eu a teria rejeitado", acrescentou, denunciando uma lei que permite a libertação de muito poucos presos, nem mesmo 10%.

Alyokhina, que indicou não ter mudado de opinião sobre Putin, foi condenada a dois anos de prisão em 2012 por vandalismo e incitação ao ódio religioso, junto a Nadezhda Tolokonnikova e Yekaterina Samutsevich. As três Pussy Riot cantaram uma oração punk contra Putin na catedral Cristo Salvador de Moscou em fevereiro de 2012.

Alyokhina e Tolokonnikova, de cuja libertação ainda não há notícias, foram anistiadas na semana passada por uma lei votada pela Duma, câmara baixa do Parlamento russo. Samutsevich, por sua vez, havia sido libertada em 2012, poucos meses depois de ser condenada. A justiça considerou que ela havia sido interceptada pelos guardas da catedral e, por isso, não participou da ação.

Em uma entrevista à Dojd, esta terceira componente do grupo disse estar muito feliz com a libertação de Alyokhina. Sua condenação provocou grande comoção internacional e mobilizou muitos apoios, entre eles os dos cantores Madonna e Paul McCartney, que pediram sua libertação.

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