VIOLÊNCIA POLICIAL

Violência da PM em protesto contra Bolsonaro no Recife completa um mês, ainda sem respostas

Investigações da Corregedoria da SDS e da Polícia Civil não foram concluídas. Dezesseis policiais seguem afastados das funções

Raphael Guerra
Raphael Guerra
Publicado em 29/06/2021 às 6:30
Notícia
FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
PM usou da força para dispersar protesto contra Bolsonaro no Recife, no fim de maio - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Leitura:

A ação violenta de policiais militares contra manifestantes que faziam ato pedindo o fim do governo Bolsonaro, na área central do Recife, completa um mês nesta terça-feira (29). Mas as investigações sobre os excessos cometidos ainda não foram concluídas. Dezesseis PMs (três oficiais e 13 praças) continuam afastados das atividades nas ruas - incluindo Reinaldo Belmiro Lins, que é suspeito de atirar com bala de borracha no olho do arrumador de contêineres Jonas Correia de França, 29 anos. O policial, que era lotado no Batalhão de Choque, foi afastado de forma cautelar por 120 dias da corporação. Também teve o armamento recolhido.

As investigações sobre a ação dos policiais estão sendo conduzidas pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS), onde foram instaurados nove procedimentos, e pela Polícia Civil, que apura, na esfera criminal, as denúncias de agressões contra os trabalhadores atingidos nos olhos (o outro é Daniel Campelo da Silva, que passou por exames ontem no Instituto de Medicina Legal) e também contra a vereadora do Recife Liana Cirne (PT), atingida por spray de pimenta ao tentar negociar com PMs da Radiopatrulha.

Em nota, a SDS informou que por enquanto os órgãos responsáveis pelas investigações não iriam se pronunciar. "Todos os elementos que possam colaborar com a elucidação dos fatos estão sendo levados em consideração", disse.

Depois de três semanas como interino, o delegado federal Humberto Freire foi efetivado no cargo de secretário de Defesa Social. A portaria com a nomeação dele foi publicada no Diário Oficial do Estado. Freire assume, de vez, oposto deixado pelo também delegado federal Antônio de Pádua, que foi exonerado em 04 de junho - dias após a ação violenta da PM.

Humberto Freire era secretário executivo de Defesa Social desde julho de 2017. Agora, a vaga de número 2 da SDS está sendo assumida pelo delegado federal Rinaldo de Souza, também nomeado pelo governador Paulo Câmara. Souza está na Polícia Federal há 14 anos.

Vale lembrar que também houve mudança no comando geral da Polícia Militar, motivado pelos excessos praticados pela corporação na manifestação. O coronel Vanildo Maranhão foi exonerado, sendo substituído pelo também coronel José Roberto de Santana. Maranhão foi transferido para a reserva remunerada.

De acordo com documentos revelados pela coluna Ronda JC, Vanildo teria sido responsável pela ordem para que os PMs fizessem a dispersão dos manifestantes, mesmo com o ato seguindo de forma pacífica. A informação faz parte de uma comunicação interna da Polícia Militar. Desde que houve o episódio, o coronel não deu nenhuma declaração sobre o assunto.

Comentários

Últimas notícias