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Saudades de uma corrida de rua? Veja o que se sabe sobre o retorno das competições

Organizadores cobram que Governo do Estado libere eventos para testes

Marília Banholzer
Marília Banholzer
Publicado em 20/07/2021 às 6:15
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Foco Radical/Divulgação
Corridas de rua precisam de, pelo menos, 300 pessoas para ser viável aos organizadores - FOTO: Foco Radical/Divulgação
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Pernambuco está há cerca de dois anos sem um evento oficial de corrida de rua. Em tempos pré-pandemia de covid-19, o segundo semestre do ano era quando aconteciam mais eventos e o calendário chegava a ficar lotado. Quem não lembra das interdições das ruas do Bairro do Recife aos sábados e domingos para a realização das corridas? Pois bem, a Federação Pernambucana de Atletismo (Fepa) já tem um protocolo para a volta desses eventos.

 

De acordo com o planejamento, as corridas aconteceriam com largadas em ondas (por grupos), todos usando máscaras na largada e na chegada (quando há maior aglomeração). O vencedor seria definido pelo menor tempo gasto para percorrer o trajeto da corrida - e não mais por quem chegar primeiro. Estas seriam as principais mudanças para que esses eventos pudessem voltar a ocorrer no Estado.

No entanto, segundo a secretária-executiva de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Ana Paula Vilaça, que atua no Comitê Gestor de Enfrentamento à Covid-19, o pedido de retomada das corridas de rua "está sendo analisado pelo comitê gestor, mas ainda não tem data definida do retorno". Hoje, esse tipo de evento deve seguir os mesmos protocolos de eventos de sociais, como casamento, formaturas, entre outros. Com isso, só é permitido reunir - no máximo - 100 pessoas.

 

Renato Neves/Divulgação
Cerca de 400 atletas vão disputar a oitava edição da Maratona das Praias. Largada será no Parque da Jaqueira, às 4h. - Renato Neves/Divulgação

De acordo com o presidente da Fepa, Daniel Pereira, uma corrida de rua pequena precisa de, pelo menos, 300 inscritos para que o evento seja economicamente viável. No entanto, vale ressaltar que em casos de corridas de rua há sempre os chamados "corredores da pipoca". A federação estima que esse grupo que não é oficialmente contabilizado acresça em 30% o número de participantes. "Já estão ocorrendo as corridas de trilha e nesses eventos você não vê muita pipoca, são encontros menores e controlados porque, geralmente, acontecem em área privadas, como clubes e fazendas", pondera Daniel.

Para Deco Nonato, treinador especialista em eventos esportivos, é preciso que haja eventos em áreas fechadas (ex: arenas, estacionamentos, clubes) para testar o retorno das corridas de rua de uma forma controlada. "A retomada das corridas de rua para 300, 400 pessoas é totalmente plausível. Já acontece em Estados vizinhos. Tem gente viajando atrás dessas corridas. Mas aqui em Pernambuco a gente ainda vê muito medo", opina.

A expectativa para o retorno é grande. Segundo o presidente da Fepa, há cerca de sete organizadores de corridas de São Paulo que estão em contato frequente com a federação para trazer os eventos assim que houver a liberação no Estado. "Além dos de fora ainda tem os organizadores dos eventos daqui. Imagine como seria animado esse segundo semestre. Por outro lado, não se sabe como as empresas vão se comportar, se vão querer patrocinar nesse momento de crise. Por isso também seria importante fazer alguns eventos pequenos para ir testando", analisa Daniel Pereira. 

DIVULGAÇÃO
Vencedor seria definido pelo menor tempo para percorrer o trajeto, permitindo largada por grupo de atleta - DIVULGAÇÃO

Outro motivo apontado pelo presidente da Fepa para a liberação de corridas menores é testar como anda a confiança do pernambucano para participar desses eventos. Ele acredita que muitas pessoas estão ansiosas para o retorno, mas é preciso experimentar e ver até que ponto a cautela diante da covid-19 vai manter as pessoas longe das competições. "No caso dos atletas, acredito que estejam com sede de participar, mas a pipoca é preciso testar para ver se as pessoas se sentem seguras para sair para corrida", comenta Daniel.

Deco Nonato observa que a falta de corridas gera desemprego e redução do preparo físico dos atletas que vivem das corridas. Segundo ele, um evento como a Maratona Maurício de Nassau chega a precisar de 700 trabalhadores somente no dia da corrida, fora todo o estafe para a organização do evento. "Sem as corridas, nem os próprios atletas conseguem viver do esporte e acabam tendo que trabalhar com outras coisas para se sustentar. Isso faz com que tenham menos tempo para se dedicar aos treinos e a qualidade cai", alerta o treinador.

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Maratonas exigem mais pessoas trabalhando na organização do evento - NE10

Veja o protocolo do atletismo em Pernambuco:

 

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