HOMENAGEM

Um ano de saudade: menino Miguel é homenageado em projeções exibidas no Recife e em São Paulo

Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas cinco anos, morreu após cair do 9º andar de um prédio de luxo da capital

Rute Arruda
Rute Arruda
Publicado em 01/06/2021 às 20:28
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ARTUR BORBA/JC IMAGEM
A mãe de Miguel e a avó estiveram presentes - FOTO: ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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com informações do repórter Leonardo Baltar, da TV Jornal

Às vésperas do dia em que completa um ano da morte do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas 5 anos, um pedido: justiça. Miguel morreu em 2 de junho de 2020 após cair do 9º andar de um prédio de luxo localizado na área central do Recife. Para homenagear a criança, frases e fotos de Miguel foram projetadas na Avenida Rio Branco, no Recife Antigo, e na Rua da Consolação, em São Paulo, na noite desta terça-feira (1º). A homenagem, organizada pela plataforma de abaixo-assinado Change.org, foi acompanhada pela mãe de Miguel, Mirtes Renata Santana de Souza, e da avó materna, Marta Maria Santana. 

"É bem emocionante essa homenagem que eles estão fazendo para Miguel às vésperas que se faz um ano da morte do meu filho. E isso é mais uma ação da Semana Internacional do menino Miguel para lembrar desse momento e também reforçar nosso pedido de justiça (...) nosso pedido de respeito com o caso Miguel, não só o caso dele, mas também o de outras crianças negras, que infelizmente são ceifadas dessa forma e que, infelizmente, o Judiciário não trata com respeito, trata com indiferença", relatou Mirtes. 

A mãe da criança afirmou que o último ano não foi fácil. "Está bem difícil viver com a ausência do meu filho. Infelizmente, outras mães passam por isso também e não conseguem se reerguer para poder lutar. Eu queria que elas vissem essa minha situação para que se fortalecessem também e lutassem por seus filhos e que pressionasse o Judiciário como eu pressiono para eles possam tratar bem os casos dos filhos dela porque quanto mais gente cobrar e pressionar o Judiciário eles trabalham. Eu só queria que fizessem", desabafou. 

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Mirtes Renata, mãe de Miguel, e Marta Maria, a avó materna da criança - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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Mãe e avó pediam por justiça - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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O caso deixou o Brasil de luto - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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O caso deixou o Brasil de luto - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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Um abaixo-assinado foi criado para pedir por justiça - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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A projeção foi feita na Avenida Rio Branco - ARTUR BORBA/JC IMAGEM
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A projeção foi feita na Avenida Rio Branco - ARTUR BORBA/JC IMAGEM

"O resto da vida sem meu filho", "Abandono também é crime, e "Ela não trataria assim o filho de uma amiga", foram algumas das frases exibidas na avenida. Na plataforma Change.org, mais de dois milhões de pessoas já assinaram a petição, que pede justiça por Miguel. 

O pedido de justiça também é compartilhado por Marta Santana, avó da criança. "Eu estou bastante emocionada porque eu queria ter Miguel presente comigo e não ali, em uma imagem, mas já que isso não pode acontecer, tudo bem. Eu agradeço também às pessoas que estão com a gente nos apoiando, e de alguma forma, nos ajudando a fazer justiça por Miguel", disse. 

"Esse um ano sem justiça sobre a morte do menino Miguel escancara o racismo e abismo social em que vivemos. A dor de uma mãe e a vida de uma criança negra simplesmente não são consideradas pela Justiça", ressaltou Monica Souza, diretora executiva da Change.org Brasil.

Relembre o caso

Miguel morreu na tarde de 2 de junho de 2020. Conforme investigação, na ocasião, Sarí Corte Real estava responsável pela vigilância do menino, enquanto a mãe dele, Mirtes Renata, passeava com o cachorro da patroa.

A perícia realizada pelo Instituto de Criminalística no edifício constatou, por meio de imagens, que Sarí apertou o botão da cobertura, antes de deixar a criança sozinha no elevador. Ao sair do equipamento, no nono andar, o menino passa por uma porta corta-fogo, que dá acesso a um corredor. No local, ele escala uma janela de 1,20 m de altura e chega a uma área onde ficam os condensadores de ar. É desse local que Miguel cai, de uma altura de 35 metros. Na época, Sarí chegou a ser presa, mas foi solta após pagar fiança de R$ 20 mil. 

Sarí Corte Real, ex-patroa da mãe de Miguel, é esposa do ex-prefeito de Tamandaré Sérgio hacker (PSB). Na época do caso, Mirtes e a avó de Miguel trabalhavam na casa do prefeito, mas recebiam como funcionárias da prefeitura. A informação foi revelada pelo Jornal do Commercio.

Após a denúncia, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou uma investigação e descobriu que outra empregada doméstica da família também era funcionária da prefeitura, e a Justiça determinou o bloqueio parcial dos bens de Hacker. O MPPE descobriu ainda que a mãe e a avó de Miguel ganhavam até gratificação por produtividade, mesmo sem trabalharem na prefeitura, como revelou um documento obtido pela coluna Ronda JC. A assessoria do MPPE disse que o caso segue sob investigação.

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