OPINIÃO

É desumano como o INSS vem tratando os trabalhadores que precisam de uma perícia médica

Por esses dias, quem tiver um pouco de compaixão, deve evitar passar na calçada de uma agência do INSS. Filas, constrangimento e humilhação é o que se vê

Romoaldo de Souza
Romoaldo de Souza
Publicado em 24/09/2020 às 7:05
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Os cálculos mais otimistas indicam que perto de um milhão de pessoas aguardam na fila virtual ou nas aglomerações presenciais nas agências do INSS, para receber um atendimento - FOTO: DAY SANTOS/JC IMAGEM
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Nas tantas voltas que dá a política brasileira, uma delas é o jeito desumano com que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) vem tratando os trabalhadores que precisam de uma perícia médica.

Há exatos 14 anos, era ministro da extinta Previdência Social, o bancário Ricardo Berzoini. O petista ficou marcado por realizar convocação em massa de idosos com mais de 90 anos para fazerem o recadastramento de beneficiários, a ponto da oposição do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2011) criar o “Troféu Berzoini de Crueldade”, com o objetivo de lembrar as atrocidades do governo do Partido dos Trabalhadores com os velhinhos aposentados.

Por esses dias, quem tiver um pouco de compaixão, deve evitar passar na calçada de uma agência do INSS. Filas, constrangimento e humilhação é o que se vê.

Os cálculos mais otimistas indicam que perto de um milhão de pessoas aguardam na fila virtual ou nas aglomerações presenciais nas agências do INSS, para receber um atendimento.

É gente pobre, que por algum motivo de saúde não está trabalhando, mas que não consegue ser atendida para dar entrada no auxílio-doença, na pensão ou na aposentadoria.

Enquanto a entidade que representa os médicos peritos joga nas costas do governo o ônus da falta de atendimento, alegando que os profissionais de saúde precisam de lugar digno para trabalhar, o governo se defende culpando os médicos de não estarem cumprindo a jornada de trabalho para a qual estão contratados e recebendo religiosamente em dia, os vencimentos.

Passando à porta de uma dessas lotadas agências do INSS, me veio a memória do escritor fluminense Lima Barreto (1881 — 1922) “Havia-me preparado para todas as eventualidades da vida. Imaginei-me amarrado para ser fuzilado, esforçando-me para não tremer nem chorar”.

Está na hora de lançar um troféu de crueldade que deve ser concedido às autoridades do INSS e aos médicos peritos que fazem vista grossa para a situação de total desprezo com que os trabalhadores estão sendo tratados.

Pense nisso!

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