CORONAVÍRUS

Covid-19: Um ano após a confirmação dos primeiros casos, Pernambuco vive momento crítico com aumento na média de mortes

Até agora, Pernambuco já confirmou 314.793 casos e perdeu 11.318 vidas para o novo coronavírus

Danielle Santana
Danielle Santana
Publicado em 12/03/2021 às 13:24
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
Considerando os dados da última semana, a média diária de registros de novos óbitos está em 28, o que representa uma alta de 47% na média móvel - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Com a maioria dos leitos destinados ao tratamento da covid-19 ocupados e com o aumento na média de mortes causadas pela doença, Pernambuco vive um momento crítico do enfrentamento ao novo coronavírus. Nesta sexta-feira (12), o Estado completa um ano da confirmação dos primeiros casos da doença. Até agora, Pernambuco já confirmou 314.793 casos e perdeu 11.318 vidas para a covid-19.

Nesta sexta-feira (12), a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou novos 49 óbitos em decorrência da doença. De acordo com a SES-PE, as mortes confirmadas nesta sexta ocorreram entre os dias 13 de maio de 2020 e 11 de março. Considerando os dados da última semana, a média diária de registros de novos óbitos está em 28, o que representa uma alta de 47% na média móvel, indicador utilizado para medir o avanço da pandemia. 

Este é o quarto dia consecutivo que o índice está em alta no Estado. A média móvel contabiliza a média dos últimos sete dias e compara com 14 dias atrás. Variações acima de 15%, sejam para mais ou menos, indicam tendência de alta ou queda respectivamente. Quando o índice fica abaixo de 15%, é considerada tendência de estabilidade.

Casos

Novos 1.566 casos da covid-19 também foram confirmados nesta sexta. Até agora, Pernambuco confirmou 314.793 casos, sendo 33.381 graves e 281.412 leves. Em média, são novas 1.210 confirmações por dia, o que representa uma queda de 9% na média móvel. 

Entre os novos registros, 1.442, o equivalente a 92% dos casos, foram considerados leves, enquanto os outros 124, ou 8% do total, são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que costumam demandar por internação hospitalar. A forma mais grave da doença é caracterizada por sintomas que incluem falta de ar ou desconforto para respirar, sensação de pressão no peito, saturação de oxigênio abaixo de 95% ou coloração azulada de lábios ou rosto, além dos sintomas de síndrome gripal.

Ocupação de leitos

Quem apresenta esses sintomas costuma buscar por atendimento médico. No Recife, o número de chamados de pacientes com problemas respiratórios para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou um recorde nessa segunda-feira (8). De acordo com a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque, foram 55 ocorrências. A média móvel diária de chamados para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que chegou a 9,3 no dia 15 de fevereiro, está em 38,7. A alta nos chamados é um indicador do agravamento da pandemia no Estado. 

A rede pública de saúde do Estado possui 2.192 leitos disponíveis para o tratamento da doença. No entanto, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela SES-PE na quinta-feira (11), 89% deles estão ocupados. A situação mais alarmante é em relação a taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva, já que 95% das 1.151 vagas de UTIs estão ocupadas. Nos leitos de enfermaria do Estado, a ocupação é de 82%. 

Apesar de estar com uma taxa de ocupação menor, 79%, a situação não é muito diferente na rede privada. Nela, 89% dos 324 leitos de UTI destinados ao tratamento de casos de SRAG estão ocupados. Na enfermaria, a taxa de ocupação atingiu o índice de 66%.

Em entrevista coletiva concedida na quinta-feira (11), o secretário de Saúde do Estado, André Longo, informou que o Estado se encontra próximo do limite. "Temos agora uma rede de UTI muito mais robusta, com quase 400 leitos a mais, do que tínhamos naquele momento [pico da pandemia em 2020], o que está conseguindo, até o momento, suportar a pressão, mas estamos muito próximos do limite". 

Restrições

No início do mês, na tentativa de conter o avanço da doença no Estado, o governo de Pernambuco anunciou o aumento das restrições. Até o dia 17 deste mês, atividades não essenciais em todos os 184 municípios do Estado deverão fechar entre 20h e 5h, de segunda a sexta-feira. Durante os finais de semana essas atividades não estão autorizadas a funcionar. Aos sábados e domingos os clubes sociais, praias e parques permanecem fechados. Nas praias, no entanto, está permitida apenas a prática de atividades esportivas individuais. 

No primeiro final de semana em que as medidas estiveram em vigor, as taxas de reclusão atingiram 43,3% no sábado (6) e 50,2% no domingo (7), números ainda distantes dos observados durante os primeiros meses de quarentena em 2020. Durante uma entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (11), o Secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo afirmou que "não adianta medida restritiva se a população não aderir". Longo também fez um apelo para que os pernambucanos higienizem as mãos e usem máscara de proteção facial.

Em pronunciamento realizado nesta sexta-feira (12), o governador Paulo Câmara comentou o momento enfrentado pelo Estado. “A nossa luta, infelizmente, ainda está longe de chegar ao fim. O esforço maior dos que fazem o Governo do Estado é garantir vacina para todos os pernambucanos e pernambucanas. Já distribuímos mais de 800 mil doses, o que ainda é muito pouco. Não vamos descansar enquanto não alcançarmos o índice de imunização que dê segurança à toda população”, afirmou.

O governador também aproveitou a oportunidade para se solidarizar com as famílias que perderam entes queridos. “Já são mais de 11 mil mortos por covid-19 em Pernambuco. Mais do que nunca, o fundamental agora é reforçar os cuidados: usar máscaras, manter as mãos higienizadas e, principalmente, cumprir as medidas restritivas”, concluiu.

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