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Mais seguras e quentes: estações de BRT do Grande Recife reabrem e dividem opiniões

Todas as unidades dos corredores de BRT, inclusive as reabertas, estão sem refrigeração. Por outro lado, ganharam segurança noturna para evitar novos atos de vandalismo

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 09/04/2021 às 7:20
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FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
As estações que já passaram pela rearrumação são as localizadas no Corredor Norte-Sul. Mesmo assim, todas estão sem refrigeração - FOTO: FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Os passos são pequenos e o caminho é longo. Mas lentamente as estações do BRT pernambucano estão sendo reabertas depois de passarem por uma rearrumação que custará mais de R$ 8 milhões aos cofres públicos - vale ressaltar. Das 20 unidades que serão requalificadas, nove voltaram a funcionar na Região Metropolitana do Recife - todas do Corredor Norte-Sul, o mais prejudicado pelo vandalismo. A reabertura, entretanto, trouxe pontos positivos e negativos para a imagem do BRT.

As estações estão sendo reabertas mesmo sem refrigeração, o que torna a permanência nela insuportável por mais de cinco minutos. Como todas as unidades do BRT pernambucano - incluindo o Corredor Leste-Oeste - tiveram os equipamentos de ar-condicionado roubados durante a quarentena do início da pandemia da covid-19, em 2020, o Grande Recife Consórcio de Transportes Metropolitano (CTM) explicou ter sido necessário realizar uma nova licitação para implantar a refrigeração. A previsão é de que a instalação dos equipamentos comece em junho e que seja em todas as 42 estações do sistema (as duas da Avenida Conde da Boa Vista têm equipamentos novos).

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As estações estão sendo reabertas mesmo sem refrigeração, o que torna a permanência nela insuportável por mais de cinco minutos. Estado está licitando a refrigeração - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

As estações também estão com aberturas na parte inferior da estrutura, solução encontrada para substituir as pequenas janelas existentes no projeto original e que foram destruídas nos atos de vandalismo. O problema é que, quando chove, a água entra nas unidades. O Estado garante que essas áreas serão fechadas quando a refrigeração for retomada. Outro ponto questionado, dessa vez pelos operadores, é o estreitamento das abas da cobertura das estações, reduzidas para evitar as frequentes destruições provocadas por veículos altos que passavam próximo demais nos trechos sem segregação para os BRTs. Alegam que, sem a coberta, as estações ficam mais expostas ao sol e à chuva.

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O problema é que, quando chove, a água entra nas unidades por essas aberturas. Estado diz que serão fechadas quando a refrigeração for retomada - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Operadores alegam que, sem a coberta ampla, as estações ficam mais expostas ao sol e à chuva. Problema seria resolvido se a segregação do tráfego dos ônibus fosse implantada ao longo dos corredores, principlamente do Norte-Sul - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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ORGANIZAÇÃO As "catracas-monstro", instaladas para evitar invasão sem o pagamento da tarifa, permanecem - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Outro ponto questionado, dessa vez pelos operadores, é o estreitamento das abas da cobertura das estações, reduzidas para evitar as frequentes destruições provocadas por veículos altos que passavam próximo demais nos trechos sem segregação para os BRTs - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

MAIS SEGURANÇA

Por outro lado, parece que o governo de Pernambuco aprendeu com os erros do passado e reativou a segurança das estações de BRT. As nove estações reformadas voltaram à operação com vigilantes noturnos, que cuidam dos equipamentos das 19h às 7h, diariamente. E, segundo o CTM, além da manutenção e vigilância do convênio firmado com a Secretaria de Defesa Social (SDS) para utilização da Polícia Militar - iniciado ainda em 2020 e que não conseguiu evitar o vandalismo durante a primeira quarentena -, as estações contarão com um sistema de alarme, conectado diretamente com a polícia e ativado quando a operação for encerrada.

“Estamos, sim, ampliando a segurança para evitar novos atos de destruição como os que aconteceram em 2020. O furto e o vandalismo, de fato, são o nosso grande problema. E custam caro para o Estado. Vamos investir, no total, mais de R$ 8 milhões para recuperar e refrigerar as 25 estações vandalizadas. Inicialmente, foi R$ 1,2 milhão apenas para conseguir colocá-las para funcionar. Depois, R$ 4,4 milhões para requalificá-las. E, ainda, R$ 3 milhões para implantar a refrigeração. Por isso estamos tão preocupados com a segurança”, explica o coordenador de Engenharia e Manutenção do CTM, Paulo Beltrão.

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A troca do piso é um dos pontos positivos. Cimento deu lugar às placas de ferro que eram alvo de vândalos - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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As estações estão com aberturas na parte inferior da estrutura, solução encontrada para substituir as pequenas janelas existentes no projeto original e que foram destruídas nos atos de vandalismo - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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Outro ponto questionado, dessa vez pelos operadores, é o estreitamento das abas da cobertura das estações, reduzidas para evitar as frequentes destruições provocadas por veículos altos que passavam próximo demais nos trechos sem segregação para os BRTs - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM
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A troca do piso é um dos pontos positivos. Cimento deu lugar às placas de ferro que eram alvo de vândalos - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

A aquisição do sistema de alarme para as estações de BRT ainda será licitada e deverá representar um investimento de R$ 70 mil, com um aluguel mensal de R$ 10 mil. Por enquanto, o Estado vai gastar R$ 12 milhões por ano com o convênio com a SDS - que utiliza os PMs de folga dentro do Programa de Jornadas Extras (PJEs) - e R$ 2 milhões/ano (170 mil por mês) com a segurança privada das estações.

As estações reabertas até agora são: Guararapes, Forte do Brum, Istmo do Recife, Nossa Senhora do Carmo, Araripina, IEP, Tacaruna, Maurício de Nassau e Riachuelo.

REAÇÃO

Entre os passageiros, a reforma das estações foi elogiada e criticada. Principalmente diante da qualidade da requalificação dos equipamentos. “Eu gostaria que as mudanças fossem realmente para melhor. Mas não é o que acontece. O que vemos são meias reformas. A impressão que temos é que o poder público faz de um jeito ruim para que acabe logo e possa conseguir mais dinheiro para fazer ruim de novo. É como se não tivessem responsabilidade para fazer uma mudança completa”, critica o cabista Luiz Custódio da Silva, usuário do BRT.

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Luiz Custódio da Silva, usuário do BRT - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

Já a autônoma Maria Fernanda Maciel, que utiliza o BRT eventualmente, aprovou a reforma, mas reclamou do calor. “Espero que continuem a requalificar as estações porque a vida do passageiro do transporte público está muito ruim nessa pandemia. Quanto mais estrutura melhor. Espero que consertem todas e recoloquem o ar-condicionado porque está insuportável esperar o BRT nelas”, afirmou.

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Maria Fernanda Maciel, autônoma - FELIPE RIBEIRO/JC IMAGEM

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