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Mobilidade

Por Roberta Soares e equipe
COLUNA MOBILIDADE

Queda de muro sobre criança e a triste história do Metrô do Recife

Sem recursos e no caminho para virar uma concessão pública, o Metrô do Recife não consegue mais cuidar - como deveria - do seu sistema. Nem para dentro, muito menos para fora

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Roberta Soares

Publicado em 19/10/2021 às 15:27 | Atualizado em 19/10/2021 às 17:58
O abandono de todo o isolamento da rede férrea não é novidade para o metrô, mas o episódio com a criança comprova que ele chegou ao limite do descaso - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

A queda parcial de um muro sobre uma criança de apenas 8 anos, ferida gravemente enquanto brincava numa festa infantil, é mais uma evidência do abandono do sistema metroferroviário da Região Metropolitana do Recife. Sem recursos e no caminho para virar uma concessão pública, o Metrô do Recife não consegue mais cuidar - como deveria - do seu sistema. Nem para dentro, muito menos para fora. Aquele muro que desabou sobre a menina é responsabilidade da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e deveria estar sempre “lapidado com pedrinhas de brilhantes” porque coloca a vida de pessoas e o próprio sistema em risco. Essa é a verdade.

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O muro que desabou sobre a menina é responsabilidade da CBTU e deveria estar sempre "lapidado com pedrinhas de brilhantes" porque coloca a vida de pessoas e o próprio sistema em risco. Essa é a verdade - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

O abandono de todo o isolamento da rede férrea não é novidade para o metrô, mas o episódio com a criança comprova que ele chegou ao limite do descaso. Infelizmente, tudo é um desmantelo no Metrô do Recife. Não há como afirmar o contrário. Faltam trens, peças para as composições que ainda operam, manutenção da linha férrea e da rede aérea, e também para o isolamento do sistema. Situação que é resultado de um sistema que vem, há pelo menos cinco anos, sobrevivendo com aproximadamente metade dos recursos que precisaria para operar razoavelmente bem. Enquanto o metrô precisa de aproximadamente R$ 100 milhões para custear sua operação, recebe R$ 50 milhões do governo federal.

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E a situação se agravou com a pandemia e os sete aumentos da tarifa determinados num período de menos de dois anos, fazendo a passagem subir de R$ 1,60 para R$ 4,25. Reajuste que espantou o passageiro e fez a demanda cair pela metade - eram 400 mil por dia antes da pandemia e, agora, mal chegam a 200 mil pessoas usando os trens diariamente. E não há perspectiva de retomada. Ao contrário. Enquanto a demanda dos ônibus reage - está na casa dos 70% -, a do metrô segue na mesma.

Muro que isola o Metrô do Recife totalmente deteriorado - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Faltam trens, peças para as composições que ainda operam, manutenção da linha férrea e da rede aérea, e também para o isolamento do sistema - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM
Infelizmente, tudo é um desmantelo no Metrô do Recife. Não há como afirmar o contrário - BRUNO CAMPOS/JC IMAGEM

DEMORA

O abandono do sistema metroferroviário do Grande Recife se confirma, ainda, na dificuldade de posicionamento e comunicação. É preciso lembrar que a CBTU levou dois dias para soltar um comunicado - mesmo que de três linhas - sobre a queda do muro que feriu gravemente uma criança. Até nesse aspecto a ausência de pulso da gestão fica evidente. 

MURO NA MESMA SITUAÇÃO

A reportagem da TV Jornal, por exemplo, esteve no local do acidente com a criança nesta terça-feira (19/10) e tudo estava do mesmo jeito. Restavam escombros da estrutura. Não havia proteção. Do lado de fora, era possível ver os trens do metrô passando a todo momento. Na área interna, vigilantes da CBTU tentavam impedir a entrada de moradores na linha férrea pelo buraco aberto na estrutura. A parte do muro que caiu estava deteriorada. Na placa do lado, que ainda ficou de pé, ferragens expostas denunciam a falta de manutenção. Os problemas seguiam ao longo da estrutura.

ENTENDA O ACIDENTE

CBTU

Na tarde desta terça (19), a CBTU Recife enviou nota informando que familiares da criança ferida foram recebidos pelo superintendente do Metrô do Recife, Carlos Ferreira, e por outros diretores do sistema. O pai da menina e a advogada que acompanha o caso protocolaram solicitações emergenciais e necessidades da família nesse primeiro momento. Pediram, ainda, a formação de um comitê para acompanhar o caso e ser um canal de comunicação entre a Companhia e a comunidade. A CBTU explicou que a área da manutenção está analisando o fato e no aguardo de perícia técnica para que sejam estabelecidos protocolos emergenciais em relação ao muro.

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