CANDIDATO

PSB vai passar por mais uma rodada de conversas com os partidos para definir o candidato a governador de Pernambuco

Os principais nomes em discussão são: os deputados federais Danilo Cabral e Tadeu Alencar, e o secretário da Casa Civil José Neto. O ex-prefeito do Recife, Geraldo Julio não foi totalmente descartado

Mirella Araújo
Mirella Araújo
Publicado em 21/01/2022 às 18:17
ALUISIO MOREIRA/SEI
O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, tem sido o condutor do processo de sucessão e já admitiu que a definição poderá levar mais templo do que o esperado - FOTO: ALUISIO MOREIRA/SEI
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O PSB de Pernambuco ainda não definiu quem será o candidato a governador nestas eleições e a fase de discussões com os partidos da Frente Popular deve fazer com que o calendário estipulado pelo governador Paulo Câmara para apresentar um nome seja ampliado para no máximo até fevereiro. A partir desta semana o ritmo desses encontros deve ser intensificado. Na segunda-feira (24), o presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força, e o deputado federal Augusto Coutinho, serão recebidos no Palácio do Campo das Princesas.

As direções nacionais e estaduais do PT e PSB também devem ir à mesa, nesta semana, para discutir sobre o palanque de Pernambuco, após avanços significativos nas negociações entre os dois partidos, durante a reunião realizada nesta quinta-feira (20), em Brasília. A presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann, endossou o posicionamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o PSB tem preferência para indicar o cabeça de chapa.

Vale lembrar que a Executiva do PT de Pernambuco aprovou a indicação do senador Humberto Costa como pré-candidato, e ele esteve duas vezes com Paulo Câmara para validar essa alternativa apresentada à Frente Popular. Ainda aguardam uma convocação para o Palácio o PDT, cujo pré-candidato a presidente da República Ciro Gomes, foi lançado oficialmente nesta sexta-feira (21).

Os socialistas são tratados como prioridade pelo PDT, mas reforçam que Ciro terá palanque em Pernambuco - diante desse cenário eles não descartam a possibilidade de haver dois palanques presidenciais na chapa da Frente Popular e o nome do presidente do PDT,  deputado federal Wolney Queiroz, é apoiado pelos pedetistas para ocupar a vaga de Senado. 

O presidente estadual do MDB, deputado federal Raul Heny, também deverá se encontrar com o governador Paulo Câmara. Ele seria um dos primeiros dirigentes partidários a serem recebidos pelo gestor, mas por motivos de saúde, precisou cancelar o encontro. O parlamentar testou positivo para covid-19. 

“O governador de Pernambuco (PSB-PE), Paulo Câmara, tem conduzido com eficiência a sua sucessão no estado, com escuta atenta aos partidos parceiros. Até fevereiro, no máximo, o PSB deve anunciar o seu candidato ao governo pernambucano nas eleições 2022”, declarou o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Mas, para recapitular as últimas movimentações do Partido Socialista Brasileiro, é necessário pontuar que hoje os nomes cotados são: os deputados federais Tadeu Alencar e Danilo Cabral; e os secretários estaduais José Neto (Casa Civil) - que obtém a preferência do governador do Estado - e Geraldo Julio (Desenvolvimento Econômico).

No caso do ex-prefeito do Recife, mesmo com Paulo Câmara reafirmando publicamente que o correligionário não deseja ser o nome do partido para a sucessão estadual, não passou despercebida as declarações de aliados enaltecendo a gestão de Geraldo e lembrando que ele é o quadro natural do PSB. "Seja disputando o voto. Seja coordenando as campanhas majoritárias. Jogar fora esse potencial, esse acúmulo de força junto à população junto às lideranças políticas e aos demais diversos setores organizados da sociedade é um equívoco que eu não creio que possamos sequer supor. Chega a ser surreal considerar uma hipótese sem Geraldo", defendeu o deputado estadual Aluísio Lessa.

O deputado federal Tadeu Alencar, ao participar da cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal de Contas (TCE), Ranilson Ramos, havia dito que o jogo ainda estava em aberto. "A definição não será uma reunião, serão conversas, aferições, há complexidade principalmente se o nome não for o de Geraldo e o nome dele segue na roda sim. Acho que o PSB tem nome natural, Geraldo, e não sendo ele, o jogo está aberto", declarou. 

Nesta semana, ao menos dois outdoors com a frase “Pernambuco é Geraldo”, localizados na Avenida Agamenon Magalhães, próximo ao Hospital Português, e na Avenida Sul, no bairro de Afogados, demonstram que há quem ainda enxergue uma possibilidade do ex-prefeito rever sua decisão em não concorrer às eleições.

Entretanto, conforme informação do colunista Igor Maciel, do JC, esses nomes teriam sido afunilados e o impasse estaria entre Tadeu e Danilo, o que atenderia ao perfil político defendido pelo partido. Tadeu tem o apoio da família do prefeito do Recife, João Campos, já Danilo Cabral seria uma alternativa a José Neto, que não demonstra querer encarar a postulação e não é filiado ao partido. No dia 12 de janeiro, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou que Cabral teria sido escolhido e o PSB estaria se organizando para fazer esse anúncio em breve.

Prontamente aliados e socialistas afirmaram desconhecer essa decisão. O presidente estadual do PSB, Sileno Guedes, disse que o governador ainda estaria iniciando o processo de escuta dos partidos e que pretendia concluir o prazo de 31 de janeiro. A demora para apresentar um nome a sucessão do Estado, é vista por especialistas que já conversaram com o JC, como uma clara falta de unidade interna e que pode favorecer não só o bloco de oposição, em termos de espaços políticos a serem ocupados, mas aumenta a dependência do PSB em ter o PT no seu palanque local para que o candidato possa receber o reforço de Lula quanto for formalizada a sua candidatura.

Federação

A federação partidária tem sido outro entrave para que o PSB e PT possam avançar sobre as conjunturas locais. Isso porque o que está em jogo não são apenas as eleições de 2022, mas as eleições municipais de 2024. Por uma norma editada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral, os partidos precisam reconhecer a federação  até o dia 1º de março. O tempo é considerado curto para que a agremiações cheguem a um entendimento sobre como irão "funcionar" a partir da junção das siglas.

Há diversos questionamentos sobre como será feita a escolha dos dirigentes partidários, do sistema de tomada de decisão dentro desse modelo. De acordo com a legislação, após essa formalização eles terão que atuarem juntos por pelo menos quatros anos - isso implica diretamente na construção dos apoios e das chapas majoritárias. Reunidos em Brasília, PT e PSB anunciaram a decisão de, junto com PCdoB e PV, ingressarem até a próxima semana  com um recurso no TSE solicitando o cumprimento do prazo estabelecido em lei aprovada no Congresso e que permitia a criação de federações após as convenções partidárias.

 "O debate foi muito produtivo e acordamos que vamos recorrer ao TSE para ampliar o prazo de definição das federações partidárias além de reforçamos a formação de uma frente ampla, em torno da candidatura de Lula à presidência", afirmou Paulo Câmara

 

 

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