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CRISE

Tragédia de Santa Cruz, Náutico e Sport na temporada em sete atos

Muitos fatos negativos aconteceram para que os três times da capital amargassem frustrações em 2021, confiram alguns deles

Cadastrado por

Marcelo Cavalcante

Publicado em 21/12/2021 às 13:01 | Atualizado em 20/04/2022 às 20:12
Náutico, Santa Cruz e Sport podem jogar com a presença de mais torcedores - JC IMAGEM

A temporada de 2021 para Santa Cruz, Náutico e Sport foi para esquecer. Ou para aprender a como não gerir o futebol.



O festival de erros foi impressionante. O Timbu deu até alguns motivos para o seu torcedor sorrir, mas o final do ano foi frustrante. O Tricolor só levou pancada, o mesmo aconteceu com o Leão. Mas não foi à toa, não foi obra do azar.

Nessa postagem, resumimos a temporada do trio em sete fatos que deixam o futebol pernambucano menor em relação ao cenário nacional, embora ainda tenha quem acredite que está tudo bem. Durante a semana, o Blog do Torcedor vai destrinchar detalhes dos fatos.


Sete fatos marcantes do Santa Cruz

Eleição confusa

Foram meses e meses debatendo o nada. Picuinhas, ataques pessoais e acusações. Planejamento para o Santa Cruz que é bom, não havia.

O processo eleitoral foi adiado várias vezes, o que só criava um clima tumultuado entre os candidatos. Joaquim Bezerra, que encabeçou a oposição - assumindo o posto de André Frutuoso, na última hora - foi o vencedor. E já se previa que não teria moleza pela frente.

Cinco treinadores 

João Brigatti, Alexandre Gallo, Bolivar, Roberto Fernandes e Leston Júnior. Esses foram comandantes que passaram pelo Santa Cruz.

Curiosamente, uma rotatividade gigante num ano em que a CBF anunciou uma regra para reduzir a quantidade de demissões dos clubes. Desses, Leston Júnior chegou quando o time já havia sido rebaixado.

Mas não conseguiu a classificação do time para o Nordestão. Gallo foi o único que pediu demissão. E ainda abriu os olhos de quem ficou, falando que o clube estava sem estrutura de trabalho.

Montagem do elenco

Mesmo sem dinheiro, o Santa Cruz contratou um caminhão de jogadores. Cada treinador que chegava, pedia um "pacote".

E a diretoria atendia sem cerimônia e sem critério. Apenas Gallo que não fez mudanças drásticas de peças, pois nem teve tempo à frente da equipe. O Santa Cruz em nenhum momento apresentou um padrão, uma identidade, um time base.

Debandada da diretoria

Se dentro de campo o time batia cabeça, fora dele acontecia o mesmo. Politicamente, a gestão de Joaquim Bezerra não teve sossego. Cada erro no futebol, um protesto.

Ao ponto de apedrejarem o escritório do então vice presidente André Frutuoso, que pediu afastamento do cargo e nem pensa em retornar ao clube. Assim, como Frutuoso, outros integrantes da chapa deixaram o clube. E Joaquim Bezerra é o único do grupo original que está no clube.

Queda à Série D 

Diante de tantos fatos ocorridos, estava na cara que o Santa Cruz não iria se sustentar em campo. Nenhuma competição que o Tricolor disputou encheu o torcedor de orgulho. Pelo contrário, foi só vergonha.

A campanha na Série C, principal competição do ano, foi pífia. O rebaixamento foi justo, não há o que reclamar. O pior é saber que essa passou a ser a realidade do Tricolor: disputar divisões menores do que sua história.

Remontagem política

Com o caos instalado, Joaquim Bezerra pediu licença do cargo. E o que mais se falava era sobre sua renúncia, o que não aconteceu.

Pelo contrário. O presidente voltou ao cargo apoiado por outras lideranças, incluindo até Antônio Luiz Neto, que era seu desafeto.

Expectativa de novos rumos? É a torcida espera. Se está com o cofre vazio e poucas competições a serem disputadas, pelo menos tem tempo para se organizar e montar uma equipe competitiva.

Contratação de Walter 

Não é de hoje que o Santa Cruz, mesmo mergulhado em crise, consegue trazer algum jogador que tem impacto junto ao torcedor e à mídia.

Mais recentemente, foi Grafite. Agora, a bola da vez é Walter, ex-Goiás, Fluminense e Athletico-PR. A diretoria já trouxe outros jogadores, mas nenhum abalou as estruturas do clube como o atacante pernambucano.

Nos clubes por onde passou Walter chamou atenção pela sua forma física bem distante do ideal para um atleta, balanceada com um bom faro de gol.

Sete fatos marcantes do Náutico

Conquista do Campeonato Pernambucano 

O Náutico conseguiu fazer de meio limão uma limonada. O Timbu começou a temporada com apenas o Campeonato Pernambucano para disputar.

Então, o que o técnico Hélio dos Anjos fez? Deu carga total no Estadual. Fez o time jogar a todo vapor a competição. O título veio. E o que é melhor: sobre o rival Sport, após uma emocionante disputa de pênaltis, quebrando um tabu de não conquistar um título sobre o rival desde 1968.

Timbatível em ação 

O Náutico começou a Segundona no embalo do Pernambucano. Nem o técnico Hélio dos Anjos esperava um começo tão avassalador. Foram 14 jogos de invencibilidade.

E o time já estava sendo chamado de Timbatível, chamando atenção até mesmo do técnico da seleção brasileira, Tite. Dava para ver um Náutico com grandes chances de um acesso, o que deu uma atmosfera positiva nos Aflitos.

A saída de Hélio 

A origem do pedido de demissão do treinador não se deveu à derrota para o Coritiba, a primeira na competição. Mas a perda de peças importantes no elenco, como Erick e Kieza, tiraram o time do eixo.

O técnico poderia ter mudado a filosofia de jogo para encaixar as peças que tinham na mão. Não o fez. A equipe perdeu a confiança. O ambiente harmonioso com a diretoria passou a não mais existir.

E aí, o treinador fez um pronunciamento sobre a sua saída e em nenhum momento a diretoria, que sempre o defendeu e elogiou, o demoveu da ideia. 

O retorno de Hélio 

Esse fato poderia ter sido encaixado no anterior, até porque o Timbu não conseguiu o tão sonhado acesso.

No entanto, é muita curiosa a situação. Um mês depois de sua demissão - e nesse período, acionou o clube na Justiça por falta de pagamento - Hélio estava de volta para substituir quem o substituiu: Marcelo Chamusca. 

Elenco enxuto 

Nesse processo de ida e volta de Hélio dos Anjos ficou evidente a limitação do elenco alvirrubro. O time titular mantinha um ritmo interessante, os reservas que entravam, não.

Como no início da competição, o Timbu estava vencendo, as falhas eram escondidas. Mas no decorrer da competição, na primeira crise, tudo ficou claro.

A diretoria contratou reforços e não deu jeito. Quando retornou, Hélio dos Anjos tentou de todas as formas implantar aquele futebol intenso do início da temporada, mas o setor defensivo ficou exposto, tomou gols bobos e o time não se segurou.  

O assédio 

Como se não bastasse o fato do Náutico não ter conseguido o acesso à Série A, explodiu nos Aflitos a acusação de um assédio por parte da ex-funcionária Tatiana Roma contra Errison Rosendo de Melo, ex-diretor do clube e irmão do então presidente Edno Melo.

O caso grave aconteceu às vésperas da eleição do clube. O processo, que tinha tudo para ser tranquilo, ficou quente. Até porque outras denúncias surgiram. E nada até agora teve resposta.

A eleição 

E em meio a um turbilhão de fatos, o Náutico teve três postulantes ao cargo de presidente. Diógenes Braga, que era o vice de Edno Melo, venceu Plínio Albuquerque e Bruno Becker, que fez parte da gestão Edno, como vice do jurídico, mas que saltou fora para se lançar candidato a presidente.

O Náutico deve manter a mesma linha de trabalho, mas a torcida espera que o final de ano seja de sorrisos.


Sete fatos marcantes do Sport

O milagre da permanência 

Como a pandemia tumultuou o calendário do ano passado, a torcida do Sport teve alegria no inicio da temporada ao ver o time conseguir a façanha de se manter na Série A do Campeonato Brasileiro.

O futebol defensivista de Jair Ventura acabou sendo vital para o time limitado do Leão comemorar a permanência como se fosse um título.

A eleição tumultuada 

Assim como o Santa Cruz, o processo eleitoral foi um verdadeiro absurdo. Foram vários adiamentos, discussões nas redes sociais, batalhas jurídicas e tantas outras coisas mais que só fizeram desgastar todos os rubro-negros e, claro, o clube.

Milton Bivar, que estava afastado da presidência, reapareceu na reta final, buscando uma nova candidatura. E venceu... Mas aí, vamos para o outro tópico.

Cinco presidentes 

Acreditem, em menos de um ano o Sport teve duas eleições e cinco presidentes: Carlos Frederico, Milton Bivar, Pedro Leonardo Lacerda, Leonardo Lopes e, agora, Yuri Romão.

Como acreditar que o time teria sucesso diante dessa situação. O curioso é que, todas as vezes que um problema aparecia, se falava que era um problema da gestão anterior.

Planejamento, sequencia de trabalho, união.... tudo passou longe na Ilha do Retiro.

O Profeta e o Paraguaio 

O Sport abalou também suas estruturas ao anunciar a contratação de Hernanes. O jogador vindo do São Paulo praticamente escolheu o clube do coração para jogar a temporada após a saída do São Paulo.

Deu condições para que o Leão o contratasse. Mexeu com o torcedor, organizou mais o time, no entanto, oscilou. E o time não se manteve.

A chegada de Gustavo Valentim também mexeu o mercado. O clube voltou a trazer um técnico estrangeiro depois de décadas. O time apresentou uma melhora, mas já era tarde demais.

Redução do salário 

Em meio à crise financeira, a diretoria de futebol do Sport decidiu reduzir em 30% o salário dos atletas. E o que era obrigação virou premiação.

O valor seria pago caso o time conseguisse se manter na Série A. Na época, as estrelas André e Thiago Neves estavam no time. E, de uma hora para outra, passaram a andar em campo.

Rendimento ruim que atrapalhou todo o grupo. Os dois pegaram o beco e, por coincidência ou não, o time evoluiu após as suas saídas.

A não inscrição de jogadores e renúncia da diretoria 

Bomba mesmo na Ilha foi o erro que a diretoria de futebol, juntamente com a supervisão, ao regularizar quatro atletas e não inscrevê-los no Brasileirão no tempo certo.

Não dá para dizer que foi culpa de um ou de outro. A responsabilidade foi de todos. Mas, cá entre nós, o fato foi muito esquisito. Porque para inscrição, basta um clique no sistema. E isso não foi feito.

O fato eclodiu a diretoria de futebol. Uma nova equipe foi montada em meio à disputa do Brasileirão, onde o time ia mal das pernas.

A queda 

O rebaixamento do Sport era um fato que vinha sendo anunciado a cada dia que o clube se perdia em suas atitudes.

O Leão fez por onde voltar para Série B. Os jogadores até que mostraram dignidade na reta final, lutando até o fim (até nos jogos em que o time só cumpria tabela, o elenco foi digno).

Mas o Leão teve queda até moral, com o vergonhoso episódio de homofobia do conselho deliberativo, contra o ex-BBB Gil do Vigor. Que os rubro-negros repensem o trabalho e voltem com mais força em 2022.

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