democracia em risco

Polarização política no Brasil: como opiniões políticas dividem famílias, desafiam empresas e comprometem o futuro do país

Analisando 99 mil entrevistas, cientista político e jornalista explicam como a divisão entre lulistas e bolsonaristas desceu do palanque e chegou ao cotidiano

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Jamildo Melo

Publicado em 02/12/2023 às 11:11 | Atualizado em 02/12/2023 às 13:01
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O Brasil vive uma polarização política extrema, que transbordou dos palanques políticos para o dia a dia. Essa polarização tem dividido famílias, desafiado empresas e comprometido o futuro do país.

O livro Biografia do Abismo, de Felipe Nunes e Thomas Traumann, analisa essa polarização a partir de uma pesquisa com 99 mil entrevistas domiciliares. O Blog de Jamildo em breve trará uma resenha da publicação (após a conclusão da leitura do livro, cujo acesso foi franqueado com exclusividade).

Os autores mostram que um em cada sete brasileiros rompeu uma amizade durante a campanha eleitoral de 2022. Um em cada quatro brasileiros se sentiria mal caso seus filhos estudassem em uma escola onde os pais dos outros alunos tivessem uma visão política distinta da sua. Quase um terço dos brasileiros ficaria infeliz se um genro ou uma nora votassem em um candidato diferente do seu.

Os autores lembram que a divisão política é recorrente na história brasileira, mas que a polarização atual é diferente. No passado, a disputa era entre projetos econômicos e sociais, mas hoje é uma disputa moral, baseada em valores e identidades.

Nunes e Traumann concluem que a polarização política no Brasil está calcificada, ou seja, é uma situação irreversível. As identidades políticas se tornaram tão fortes que as pessoas não conseguem conviver com quem tem uma visão diferente.

A polarização política no Brasil é um desafio a ser enfrentado. Ela divide a sociedade, desafia as instituições e compromete o futuro do país.

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